A CRIMINALIZAÇÃO CONTRA PADRE AMARO: OS PLANOS MACABROS DO LATIFÚNDIO EM MOVIMENTO NOVAMENTE NA TRANSAMAZÔNICA!

A FACA/CAB vem a público demonstrar seu total repúdio a prisão do Padre Amaro na última quarta feira, dia 28 de março. O religioso faz parte da equipe pastoral da prelazia do Xingu e é agente da CPT na Transamazônica. Mais uma vez o latifúndio da região utiliza da tática da criminalização, da calúnia e da difamação. Irmã Dorothy já tinha sido acusada de porte de armas, formação de quadrilha e extorsão pela mesma Polícia Civil que agora acusa Amaro, antes de ser assassinada com cinco tiros, pelo mesmo latifúndio que agora acusa Amaro. Depois de 13 anos de seu assassinato a lógica se repete. E há risco de vida para o Padre Amaro Lopes, afinal ele está preso no mesmo presídio que Regivaldo Pereira Galvão, conhecido na região como “Taradão”, o principal mandante da execução de Dorothy Stang, em Altamira. O governo paraense, portanto, colocou em uma situação de alto risco um defensor de direitos humanos que vem sendo perseguido sistematicamente há mais de uma década.

 

Amaro é vítima dos fazendeiros corruptos que fraudaram a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e grilam terras desde os anos 1980 ao longo da Transamazônica. Ao todo foram 15 projetos aprovados pela Sudam para reflorestamento com frutas tropicais, plantio de café e capim em áreas degradas. Cada um deles recebendo em média R$5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais), representando um total de R$ 75 milhões ao todo. Esses “investimentos”, na verdade, foram surrupiados e serviram para invadir, pelos grileiros, madeireiros e fazendeiros destruidores da floresta, a área projetada para a construção dos PDS´s (Virola Jatobá e Esperança) favorecendo o desmatamento e a ocupação desenfreada das matas primárias existentes na região, ou seja, o dinheiro público patrocinou a destruição da nossa floresta e o sonho de uma vida digna para milhares de camponeses.

 

É para esse projeto de destruição e corrupção que o Padre Amaro, a CPT e as Irmãs de Notre Dame representam uma ameaça. O Estado e o Governo Simão Jatene, através da Polícia Civil, em vez de dar andamento as investigações dos mais de 700 assassinatos de lideranças rurais ocorridos nos últimos anos no Pará, desenrola a toque de caixa um inquérito esdrúxulo encarcerando Padre Amaro. O inquérito dedica mais de 16 páginas afirmando a “periculosidade” do religioso com base em depoimentos quase exclusivamente de testemunhas ligadas ao latifúndio: 90% das testemunhas arroladas na dita investigação são fazendeiros.

 

Como se não bastasse a evidente armação e perseguição contra Amaro, com apoio de servidores públicos que usam seus cargos para atuação nada republicana, o latifúndio se vale das mesmas táticas de difamação e calúnia que usou contra Dorothy Stang, que antes de ser assassinada também foi acusada, pela polícia do Pará, de envolvimento em tráfico de armas. Depois da acusação absurda, seguiu-se a execução de Dorothy. É esse o plano novamente, agora contra o padre Amaro?

 

Nós, militantes da FACA, repudiamos o caráter classista da “Justiça” do Pará. Nos solidarizamos com a CPT da Transamazônica e com todas as suas CEB´s que hoje clamam por justiça naquela região. Cercar de solidariedade Padre Amaro e todos o lutadores do povo que são perseguidos por esse Estado fascista.

 

Reforma Agrária Já! Com auto-organização dos camponeses em sua execução!

Prisão imediata para todos os assassinos de trabalhadores rurais!

Expulsão imediata dos grileiros que atuam nos PDS`s em Anapu

 

FACA/CAB

O Teatro da Hydro-Alunorte: Envenenamento das Comunidades Ribeirinhas, Saqueio do Subsolo e Destruição da Floresta Amazônica.

O Teatro do Real e a nossa missão: A Farsa da NORK HYDRO ASA que envenena Barcarena e a Amazônia.

A construção da ideologia que hoje denominamos desenvolvimento, herdeiro do progresso do século XIX, vem se materializando nos projetos políticos traçados para a Amazônia, desde as rodovias das décadas de 1960/70, passando pelas imensas plantas de geração de energia hidroelétricas, chegando aos parques industriais da mineração, dos imperadores do latifúndio e ultimamente as monoculturas de soja e de dendê.

Este enredo escrito para Amazônia teve seu mais recente ato: A farsa da NORKS HYDRO ASA. A empresa norueguesa atua no setor mineralógico desde inicio do século XX, perdeu sua mascara de personagem que no discurso do desenvolvimento “leva benefícios” aos habitantes onde se instala, mas não aqui no estado do Pará.

A HYDRO, fundada em 1905, tem como maior acionista o estado norueguês, bem como instituições dos Estados Unidos, Inglaterra e China, possuem relação comerciais com o Brasil desde a década de 70, adquirindo em 2010 os ativos de alumínio da VALE, dessa forma construiu uma companhia de alumínio global. Esse furto dos nossos minérios inclui: Bauxita (Paragominas-PA), participação majoritária da maior refinaria de alumina do mundo, a ALUNORTE, e também participação de 51% na empresa de alumínio do Brasil, a ALBRAS. Só no Pará, se somarmos o lucro de todas as empresas comandadas pela NORKS HYDRO ASA seu faturamento líquido está na ordem de R$ 11 bilhões em 2016, com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão.

 “a missão da HYDRO é criar uma sociedade mais viável, desenvolvendo recursos naturais e produtos de maneira inovadora e eficiente”.

Na madrugada do dia 17-02-2018 ocorreu um fato, esse já antecipado pelos próprios moradores das comunidades ao entorno do empreendimento, o rompimento de barragens de rejeitos, referindo-se a SDR1 e SDR2, da empresa norueguesa em Barcarena no estado do Pará. As denúncias das práticas irregulares da empresa em relação às questões tanto sociais como ambientais não é fato novo. Treze comunidades ribeirinhas sofrem por esse crime, destas quadro foram diretamente afetadas Água Verde, Burajuba, Jesus de Nazaré, Jardim Canaã, sem falar da escala que essa poluição pode alcança, acentuando as dificuldades que esses empreendimento trazem para as populações próximas as barragens.

Imagem do Google Maps
Imagem do Google Maps

Essa contaminação que, segundo relatório do Instituto Evandro Chagas (IEC) RELATÓRIO Nº: 002/2018 PROCESSO Nº: 010/2018, ‘neste momento as águas apresentaram níveis elevados de Alumínio e outras variáveis associadas aos efluentes gerados pela Hydro Alunorte’. Porém em 2012, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) que analisaram 26 comunidades, verificaram que 24 delas a água estava com altas concentrações de Chumbo. Elemento químico muito nocivo a saúde física e mental, não será surpresa quando for diagnosticado altos números de câncer na população dessas comunidades.

blurbstory.com
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Assim, podemos perceber que a missão da HYDRO é construir uma sociedade viável: viável para saquear nosso subsolo e precarizar a vida das comunidades onde se instala. De inovador nada tem a mais! E ainda, no dia 19/03 anunciou ferias coletivas aos trabalhadores e trabalhadoras afirmando que não se trata de demissões. Ai sua grande missão como empresa rouba nossas riquezas, destrói com meio ambiente, envenena e mata as populações ribeirinhas e demite/ferias seus/aos trabalhadores.

O Teatro do Real e a Promiscuidade do Estado e Governos: O Cano dos Rejeitos Não Era da Hydro, Era de São Pedro. Até Santo Entra na Peça.

De acordo com governador Simão Jatene (PSDB-PA) a culpa do ‘acidente ambiental’ em Barcarena foi de responsabilidade da quantidade de chuvas que caiu no dia. Como bom fanfarrão de comedia que é Simão Jatene culpa as fortes chuvas pelo transbordamento das bacias de rejeitos SDR1 e SDR2 e a Secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS) que de sustentável não tem nada, a não ser os conchavos, corrupção e mutretas ali existentes, fechou os olhos para as irregularidades cometidas pela HYDRO. Sem licença ambiental para funcionamento das bacias de rejeito, tubulações clandestinas que despeja água não tratada – efluentes – diretamente nos igarapés Bom Futuro, Gurajuba e nos rios Murucupi e Tauá, na bacia do rio Pará são apenas alguns elementos do cenário dessa escabrosa peça.

CONTRA A QUARENTENA DA VIDA: só a luta com nossas próprias mãos para construir uma sociedade melhor, o caminho é por uma via popular, onde o povo pode fazer a gestão do seu lugar que a qualidade de vida estará.

A empresa norueguesa NORKS HYDRO ASA coloca nossas populações em quarentena, infectando e precarizando a forma de vida dos moradores, matando o povo pobre aos poucos. A destruição dos hábitos e costumes das comunidades, afetadas direta e indiretamente por esses crimes, a privação da vida por causa da contaminação nos mostra como esse modelo, desenvolvimentista, em nada trás de benefícios para nosso povo. O relato das populações ribeirinhas de Barcarena é mais salutar que qualquer laudo de pericia. As mazelas deixadas localmente por essa e outras empresas mineralógicas refletem em uma escala regional, quiça global, o falido modelo.

Cabe a nós, os de baixo, a construção de outro modelo, pautando as demais do nosso povo subalternizado, fazendo frente a essas empresas, colocando em cheque o lucro oriundo da destruição da floresta amazônica e do sangue de nosso povo.

 

CONTRA O ENVENENAMENTO DAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS!

CONTRA A DESTRUIÇÃO DE NOSSA FLORESTA!!

CONTRA O FURTO DAS NOSSAS RIQUEZAS!!!

Federação Anarquista Cabana – FACA

25 DE OUTUBRO. ALERTA DE SOLIDARIEDADE!

Está em curso desde a manhã do dia 25, uma operação policial anti-anarquista em Porto Alegre-RS, Brasil, que procura fazer alvo especial a FAG. Denominada Érebo, a operação faz uma espécie de “caça ao anarquismo” como se posição ideológica fosse motivo de investigação.

Historicamente, detratores, cínicos e o estado, seja pela via policial, jurídica ou pela mídia subserviente, fazem do anarquismo a besta fera de um sistema falido, com uma política de vassalagem e corrupção que retira dos trabalhadores e trabalhadoras seus direitos (ajuste fiscal), de uma minoria rica que esmaga o povo pobre diariamente, que mata a juventude nas periferias, principalmente a juventude negra, que subjuga as populações indígenas dando vazão ao agronegócio, reduzindo territórios anteriormente reconhecidos, ou seja populações pobres do campo e da cidade sofrem miseravelmente pela ganancia dos de cima.

O sonho de liberdade em nossos tempos estão cada vez mais tenebrosos, mais uma vez organizações políticas de trabalhadores e trabalhadoras estão sendo alvo de ataques da policia em operação de cunho ideológico mais do que fatos. Mais e mais o que vemos é uma escalada, para os de baixo, de criminalização de sua única forma de garantir o pouco que ainda resta de seus direitos: Lutar e Resistir.

Nós anarquistas não podemos deixar isso acontecer, não seremos colocados como bode expiatório para esse sistema corrupto. Isso de forma alguma deve-nos amedrontar pois, nosso dever é manter os punhos cerrados contra as injustiças e opressões engendradas pela cobiça dos ricos, pela intolerância religiosa, pela justiça burguesa, pelo caudilho político, pelos governos e pela policia assassina.

Essa e demais tentativas de criminalização de nossas lutas, de nossas bandeiras, de nossos objetivos, de nossas vidas não devem ser empecilhos para continuarmos nosso trabalho, construindo povo forte em todas suas instâncias, da escola ao sindicato, das ruas pelos bairros, do campo a cidade, territorializando o anarquismo de norte a sul nesse país rumo ao socialismo e a liberdade!

TODO APOIO, NOSSA FORÇA, RESISTÊNCIA E SOLIDARIEDADE AOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA – FAG

 

Federação Anarquista Cabana FACA/CAB

Chacina de camponeses em Pau D´árco é crime de Estado. Exigimos a imediata retomada da reforma agrária.

A Federação Anarquista Cabana vem a público demonstrar seu repúdio e indignação a ação da Polícia Militar do Estado do Pará que resultou no massacre de dez camponeses e 14 baleados no Município de Pau D´árco no Sul do Estado. Sob o argumento de reintegração de posse e cumprimento de mandatos de prisão na Fazenda Santa Lúcia, os PM´s e policiais civis promoveram outra chacina na história manchada de sangue nesta porção setentrional do Brasil.

Os camponeses estavam acampados fora da Fazenda e reivindicam parte deste latifúndio que foi grilado pelo fazendeiro conhecido na região como Norato Barbicha, já falecido. Familiares do fazendeiro, especialmente a viúva, se mantém na terra grilada. Os trabalhadores começaram esta luta desde 18 de maio de 2015 reivindicando parte das terras para fins de reforma agrária. Negociações já tinham sido feitas. E o acordo não tinha se efetivado por discordância dos supostos proprietários no que se refere ao valor da indenização paga pelo INCRA.

A grande mídia atendendo os interesses do latifúndio e do Estado chamam de “confronto” o ocorrido. Mostrando espingardas de caça para justificar ação violenta. No entanto, informações de camponeses sobreviventes, inclusive da mesma família que perdeu sete de seus membros na chacina, afirmam que não houve resistência e que os policiais chegaram no acampamento já atirando. A ação foi coordenada pela DECA – Delegacia de Conflitos Agrários de Redenção.

Este caso é mais um que se soma na escala de violência promovida pelo latifúndio no Pará. Nos últimos dez dias do mês de abril (mês de luta para os povos do campo latino americano) foram sete assassinatos. Os companheiros Kátia Martins no Assentamento 1º de janeiro em Castanhal e Etevaldo Costa (com requintes de tortura) em Eldorado do Carajás foram os casos destacados em abril. Nos últimos 10 anos o estado do Pará lidera o ranking de violência no campo brasileiro com a impressionante marca de 103 assassinatos durante este período.

O aumento da violência no campo paraense se dá num contexto onde a reforma agrária estagnou. Encontra-se completamente paralisada. Os últimos governos do PT (Dilma Roussef) e do PMDB (Michel Temer) se encarregaram de retirar 600 milhões de reais dessa política. Imobilizando-a completamente. O corte de verbas e conluio do Governo do Estado do Pará, Simão Jatene, do PSDB incrementam este quadro de assassinatos e criminalização no campo.

Nós da FACA reafirmamos nossa solidariedade e luta com camponeses do Pará. Exigimos a retomada do processo de reforma agrária com expropriação do latifúndio sem indenização aos fazendeiros. Reivindicamos a condenação do principal culpado por mais essa chacina no campo: Simão Robson Jatene, Governador do Pará.

Aos nossos mortos nenhum minuto de silêncio.

Uma vida inteira de lutas.

Reforma Agrária Já.

Democracia direta já! Barrar as reformas nas ruas e construir o Poder Popular!

Publicação de  – Coordenação Anarquista Brasileira

O Brasil vive um terremoto político, escancarando a podridão das elites do país e fragilizando ainda mais os laços que as sustentam no poder. A operação orquestrada que possibilitou a gravação entre o presidente Michel Temer e o dono da JBS, maior empresa de carnes do mundo, altera a correlação de forças no país e joga gasolina na crise política e social. Com a instabilidade política, o governo tem mais dificuldade para mobilizar sua base e avançar com as Reformas da Previdência e Trabalhista, os maiores ataques à classe oprimida. Isso não é motivo para se comemorar, não devemos tirar peso destas lutas. Agora é a hora de partir pra cima, massificar as mobilizações com o trancamento das ruas, paralisações rumo à greve geral para barrar os cortes sociais e as reformas. Devemos aprofundar a democracia, mas a democracia direta, onde as/os trabalhadoras/es nos seus locais de trabalho, estudo e moradia decidam o rumo do país. Não podemos aceitar as migalhas do andar de cima, precisamos impor um programa popular de direitos sociais construído e decidido pelo povo. Precisamos construir a democracia direta, nos bairros, nas favelas, nas vilas, nas ocupações de terra e de moradia, nas fábricas, nas escolas fora dos acordões dos de cima.

O golpe que destituiu o quarto mandato do PT/PMDB na presidência possibilitou de início um êxito em aprovar duras medidas antipovo em ritmo avassalador, com vasto apoio no Congresso e na mídia, principalmente da Globo. Temer passou a Reforma do Ensino Médio, a PEC do Teto de Gastos, Lei da Terceirização, privatizações e diversos outros ataques – iniciados durante o próprio governo PT. Décadas de burocratização das lutas pelas grandes centrais sindicais e a prática da cooptação de dirigentes de grandes movimentos sociais pelo PT, ajudaram e ainda ajudam a desmobilizar o povo e dificultam a massificação da resistência contra estes ataques. Apesar disso, outros setores como os secundaristas e indígenas, dão fôlego renovado à luta social. O crescimento da insatisfação popular com as reformas da Previdência e Trabalhista de Temer manifestou-se com grande impacto nas ruas, nas mobilizações pela greve geral dos dias 15 e 28 de abril, fazendo os golpistas recuarem com suas propostas.

Corte de rua e barricada no estado do Paraná.

Com mais de 90% de rejeição, o governo Temer não tem legitimidade nem para sustentar esse falso sistema democrático. Este serve apenas para manter os empresários e a classe política roubando e matando o povo. O governo de conciliação de classes de Lula e Dilma foi um governo para os empresários e ricos, com algumas migalhas para os pobres. E as inúmeras denúncias de corrupção só deixam evidente a asquerosa relação de favorecimento que existe entre grandes empresas e o Estado. Os casos de corrupção não são fatos isolados, mas é o que faz movimentar a roda do Estado e do Setor Privado. Ou seja, o sistema representativo não serve para os interesses do povo, mas sim para o capitalismo, para a classe política e empresarial conseguir fazer avançar seus projetos.

Por isso as “soluções mágicas” como privatizações, terceirizações, ataques aos direitos trabalhistas servem apenas para os empresários lucrarem mais. Da mesma forma são os ataques aos direitos sociais, ataques aos indígenas e seus territórios, sem-terras e camponeses, às mulheres, LGBTTs, o genocídio do povo negro e moradores de favelas e vilas, a criminalização da pobreza. Todas são medidas e políticas para que a direita e os setores conservadores, empresários, latifundiários, banqueiros imponham sua ideologia, lucrem mais, concentrem mais riqueza e explorem mais o povo. Empresários, como Dória, não são diferentes dos outros políticos, são inimigos do povo. Se os políticos profissionais estão em descrédito, o sistema de justiça tenta se valer de legitimidade com as operações anticorrupção para aumentar seu poder na estrutura de Estado. A cúpula do Judiciário, Polícia Federal e Ministério Público, com setores alinhados diretamente aos Estados Unidos, contam com maciço apoio da Rede Globo para acumular poder com viés perigosamente autoritário. É preciso repudiar essa escalada e evitar qualquer ilusão em salvação pela justiça burguesa.

A velha mídia desempenha papel crucial no emaranhado de interesses da classe dominante. A Rede Globo, a mesma que apoiou o Golpe Midiático Jurídico Parlamentar, construiu e legitimou o golpe atual, agora se coloca do lado mais forte, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) pela saída de Temer. O propósito é recuperar as condições para aprovar as reformas com a escolha de um novo presidente por eleições indiretas. Não podemos menosprezar o papel que as gigantes de comunicação cumprem no campo ideológico. A virada da Globo contra Temer não significa nenhum avanço para o campo popular. Surfando no descrédito dos políticos profissionais ela descarta antigas apostas, como Aécio Neves, e orientam sua agenda pela tendência mundial de alavancar candidaturas de personalidades aparentemente “de fora” do campo político-partidário. Procuram emplacar sujeitos diretamente do empresariado (Doria, Meirelles), do judiciário (Nelson Jobim, Carmem Lúcia, Joaquim Barbosa), ou até da mídia de entretenimento (Luciano Huck). É estratégico avançar no descrédito da velha mídia e fortalecer a pauta da democratização da comunicação com restrição ao poder destas empresas, assim como fortalecer os meios de comunicação populares.

Ainda é preciso questionar o motivo das denúncias chegarem só neste momento. Mesmo que tenham descartado alguns políticos e desencadeado certa instabilidade, a ação demonstra lealdade nos acordos entre estado e capital. O critério é econômico e há interesse em defender uma empresa que recém enfrentou a operação Carne Fraca; uma ação que, se por um lado demonstrou a péssima condição que nossa comida é produzida, atendeu primeiro aos interesses estadunidenses de enfraquecer um concorrente na disputa internacional do mercado da carne. Cabe salientar que foi o governo do PT/PMDB que engordou a JBS via BNDES com fomentos milionários, transformando a empresa numa das maiores do mundo.

Por Baixo e à Esquerda, Democracia Direta já!

O fato é que a pauta que levou muitas pessoas às ruas nesse 1 ano de governo Temer pode tornar-se realidade: a saída de Michel Temer da presidência da república. E nos perguntamos: e agora? Qual é o próximo passo? Sabemos que com os golpistas enfraquecidos e sua base parlamentar balançando, faltam condições para dar continuidade na tramitação das reformas trabalhista e da previdência. Agora é urgente massificar a luta contra as reformas e retomar os direitos que foram retirados por golpistas do passado e da atual conjuntura, do PT/PMDB. Além de barrar as reformas, precisamos construir um projeto que faça os ricos pagarem a conta da crise e que reconheça a elite política, empresariado e mídia como inimigos do povo. Grandes empresas como a JBS devem à previdência mais de 400 bilhões, cerca de três vezes o valor que agregam ao falso déficit da Previdência.

Só a organização do povo e a pressão nas ruas podem impedir as reformas e os ataques aos direitos socais. Nada sairá nesse sentido dos gabinetes parlamentares. Temos que impedir que os empresários e a elite política façam seus acordões de cúpula e golpes para seguirem com seu projeto. A mobilização e a pressão popular são necessárias e urgentes agora para barrar o avanço das reformas em meio a essa instabilidade. São pressões necessárias para impor ao governo as pautas populares, também no caso de uma eleição direta. E a mobilização do povo hoje é urgente para impedir o pior dos cenários, que é uma suspensão das eleições em 2018 através de uma intervenção político-militar e a perseguição aos setores combativos da esquerda.

Bloco de lutadores e ato em SP.

A esquerda eleitoreira exige diretas já para Presidência da República e o lulismo pode aflorar, como em anos atrás, conseguindo apresentar-se como suposta saída popular em meio ao terremoto da crise política. Não podemos nos iludir! Temos afirmado e continuamos afirmando: é preciso superar o petismo e toda sua herança na esquerda. A crença de que Lula terá como enfrentar a crise e trazer melhorias nas condições de vida dos de baixo não se sustenta. Uma eleição de Lula representaria apenas mais um pacto de classes com a burguesia e os patrões, em termos ainda mais recuados do que dos anos anteriores.

O importante neste momento é que a luta tem que ser de base e nas ruas para fazer avançar um programa popular de direitos! Promover organização, mobilização contra a reforma da previdência e trabalhista e pela construção de um projeto popular com independência de classe. Catalisar a insatisfação popular em revolta e avançar nas lutas nos locais de base. Não se deixa levar por soluções imediatistas, nesse processo de reorganização da esquerda e acordos de cúpula para salvar a democracia burguesa. Não existe coelho da cartola, a saída é construir organização popular nos bairros, nas escolas, nos locais de trabalho com o povo pobre e oprimido. Devemos exigir a suspensão de todas as medidas antipovo iniciadas no governo PT e continuadas pelo golpista Temer.

O momento é desfavorável para nós oprimidos e oprimidas, mas a crise e a disputa entre as elites abrem margem para outros projetos. Precisamos utilizar a insatisfação para deslegitimar esse sistema e canalizar a luta social.

Democracia Direta já!
Pela suspensão de todas as medidas antipovo!
Contra o ajuste fiscal e os cortes nos direitos!
Fora Globo golpista!
Construir o Poder Popular contra o ajuste e a repressão!

É barricada, é greve geral! Só a ação direta derruba Temer, Jatene e todo sistema do capital!


É barricada, é greve geral! Só a ação direta derruba Temer, Jatene e todo sistema do capital!
No início do século XX quando vigorava a completa desregulamentação das relações entre os trabalhadores e os patrões a ganância capitalista submetia homens, mulheres, crianças e velhos a brutal exploração. Sem direito a descanso semanal, férias remuneradas, jornada de oito horas de trabalho, licença maternidade, salário mínimo, previdência social e sem acesso a escola e saúde pública, a classe que vive do trabalho teve que se organizar e reverter este quadro através de uma série de atividades de ação direta que iam desde a organização dos sindicatos e federações revolucionárias culminando com a fundação da Confederação Operária Brasileira – COB em 1906 até a primeira grande greve geral no Brasil em 1917. Durante esta trajetória os patrões e o governo foram obrigados a sentar com o povo oprimido e explorado e negociar as pautas que o movimento paredista apresentava. Foi quando se instituiu uma parte dos direitos reivindicados cristalizados na CLT- Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT.
Da primeira grande greve geral até 2017 se passaram 100 anos. Durante todo esse percurso, Estado e patrões nunca engoliram a diminuição de sua taxa de lucro pela conquista dos direitos sociais. A ascensão de Temer e toda sua corja golpista (com a chancela do PT/PCdoB e as entidades sindicais pelegas e burocratizadas) significou objetivamente um golpe nestes direitos adquiridos com muita luta e luto por milhares de companheiras e companheiros presos e tombados. O campo utilizado para a eliminação destes direitos foi exatamente aquele que a classe oprimida historicamente sempre foi derrotada. A saber: o parlamento burguês e o judiciário. Basta vermos por onde tão “reformando” a Previdência, liberando o trabalho terceirizado e criminalizando os movimentos sociais. Cem anos depois, um aprendizado deve ficar na memória do povo em luta. Nossos direitos foram conquistados em outra arena. Foi nas ruas, nos campos, nas fábricas e nas lavouras que nossa classe partiu para ofensiva e derrotou a burguesia e o estado arrancando seus direitos. Para isso um instrumento foi central e determinante: a ação direta. Seja fazendo greves, ocupando terras, fechando rodovias. Foi parando a circulação do dinheiro dos capitalistas que se abriram os caminhos para os direitos dos trabalhadores.
Neste dia 31 de março de 2017 que nossa memória não seja traída. Reiteramos que do Estado, através de seus poderes (executivo, legislativo e judiciário), só podemos esperar violências e opressões, que aliadas à exploração capitalista, amordaçam nossas vidas. Assim, seguiremos firmes em nossas lutas sempre tendo em vista a construção da justiça social desde baixo e à esquerda. Nossos direitos que estão usurpados só podem ser garantidos com uma grande Greve Geral, radical e expropriadora, para derrubar Jatene, Temer e todo sistema do capital.
Belém – Pará

31 de Março de 2017
Federação Anarquista Cabana – Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira.

Contra tentativa de criminalização de estudantes e servidores na UNIFAP

A Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), tenta criminalizar aos que ocuparam a universidade contra as medidas de austeridades do governo golpista de Michel Temer que retira os direitos sociais históricamente adquiridos com muito suor e sangue da classe trabalhadora bem como de todo povo oprimido.

Hall da reitoria

Pelo movimento que solapou as escolas secundaristas, institutos federais e universidades em todo território nacional, em Macapá, na UNIFAP, não foi diferente, alunos e servidores decidiram ocupar o hall da reitoria que, duraram 51 dias, como forma de manifestação contra essas medidas. Foram 51 dias de atividades, debates e discussões sobre os malefícios da PEC 55 e como isso afetará a população pobre no âmbito da educação e saúde para os próximos vinte anos e como esse projeto de emenda constitucional garantirá privilégios e mordomias para os de cima.

A UNIFAP e a reitora Eliane Superti mostram que se trata claramente de perseguição e tentativa de criminalização daqueles que se levantam e lutam. Imputam processo judicial referente à reintegração de posso expedido durante os dias de ocupação, uma vez que o movimento de ocupação sempre se mostrou aberto e com dialogo para discutir, a exemplo, da aplicação das provas do ENEM passado onde o movimento em nada prejudicou sua realização.

Portão de entrada da UNIFAP

A solidariedade entre os de baixo é pratica que constrói laços e fortalece a luta, a Federação Anarquista Cabana, exercendo essa pratica como principio lança mão solidaria a companheirada da UNIFAP que bravamente organiza, resiste e luta. Não podemos ficar calados e deixar mais uma tentativa de criminalização do movimento.

LUTAR NÃO É CRIME!

Nenhum passo atrás! Nenhum Direito a Menos!

 

 

 

Solidariedade ao Professor Evandro Medeiros Contra a Ganância Extratora da Vale!

[FACA] A Federação Anarquista Cabana vem estender sua solidariedade ao companheiro Evandro Medeiros, professor do Curso de Educação do Campo da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). Ele vem sendo criminalizado por protestar e mostrar sua indignação contra dos desmandos da Vale no sudeste paraense. Vem sendo atacado pela Companhia por fazer protesto, juntamente com demais movimentos sociais, na região. Nas palavras da mineradora “quer fazer justiça usando as próprias mãos”, sedução barata para desvirtuar o real motivo do protesto.

Em novembro de 2015, sobre a tenebrosa estrada de ferro de Marabá (trilhos que transportam a riqueza do subsolo do povo paraense para Canadá e Japão deixando aqui criminalidade, miséria e impunidade), um coletivo de lutadores e lutadoras do povo juntamente com o professor Evandro uniram forças para realizar ato em solidariedade às famílias atingidas pela estupidez e irresponsabilidade protagonizada pela obra de duplicação da ferrovia da companhia VALE. O ato também lembrava as vítimas da empresa SAMARCO, pelo rompimento da barragem de rejeitos no município de Mariana, em Minas Gerais.

Esse crime cometido pela mineradora, mesmo após 10 meses nada foi resolvido, e a VALE segue sua espúria caminhada pelo sudeste paraense com o projeto S11D e duplicação da ferrovia que já impacta e corta as terras e territórios de camponeses, indígenas e quilombolas. Aprofundando as desigualdades sociais, os crimes ambientais e assassinatos de lideranças no estado do Pará ou em Minas Gerais, no Brasil ou em outras fronteiras onde se instala a mineradora os resultados são os mesmo: concentração fundiária, ataque aos direitos humanos e da natureza e espoliação dos bens naturais.

Passados 07 meses do maior crime ambiental do país, nada foi resolvido sobre questão da SAMARCO/VALE em relação às famílias que foram vitimadas. No entanto, por conta do protesto feito sobre a estrada de ferro em Marabá, a “justiça” rapidamente se manifesta tratando de criminalizar todas e todos que se erguem em luta contra a plutocracia desta mineradora.

Na audiência conciliatória do último dia 05 de maio, o ministério público propôs que Evandro pagasse um salário mínimo para mineradora e por sua vez a VALE “reivindica” dele serviços comunitários por 15 dias. Uma proposta absurda!

Mostra-se mais uma tentativa de amedrontar as/os lutadores do povo oprimido. Daqueles que se levantam contra os mandos e desmandos dessas empresas que por meio de práticas escusas fazem por valer suas vontades destruindo os territórios de comunidade quilombolas, de indígenas, de famílias assentadas, de ribeirinhos e de toda uma tradição camponesa onde esses projetos se alocam.

#Não vai ter arrego!

#Não se ajusta quem resiste!

#Solidariedade ao professor Evandro Medeiros

#Terrorista é o Estado e o Capital.

FACA/CAB, julho de 2016.

Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira