É barricada, é greve geral! Só a ação direta derruba Temer, Jatene e todo sistema do capital!


É barricada, é greve geral! Só a ação direta derruba Temer, Jatene e todo sistema do capital!
No início do século XX quando vigorava a completa desregulamentação das relações entre os trabalhadores e os patrões a ganância capitalista submetia homens, mulheres, crianças e velhos a brutal exploração. Sem direito a descanso semanal, férias remuneradas, jornada de oito horas de trabalho, licença maternidade, salário mínimo, previdência social e sem acesso a escola e saúde pública, a classe que vive do trabalho teve que se organizar e reverter este quadro através de uma série de atividades de ação direta que iam desde a organização dos sindicatos e federações revolucionárias culminando com a fundação da Confederação Operária Brasileira – COB em 1906 até a primeira grande greve geral no Brasil em 1917. Durante esta trajetória os patrões e o governo foram obrigados a sentar com o povo oprimido e explorado e negociar as pautas que o movimento paredista apresentava. Foi quando se instituiu uma parte dos direitos reivindicados cristalizados na CLT- Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT.
Da primeira grande greve geral até 2017 se passaram 100 anos. Durante todo esse percurso, Estado e patrões nunca engoliram a diminuição de sua taxa de lucro pela conquista dos direitos sociais. A ascensão de Temer e toda sua corja golpista (com a chancela do PT/PCdoB e as entidades sindicais pelegas e burocratizadas) significou objetivamente um golpe nestes direitos adquiridos com muita luta e luto por milhares de companheiras e companheiros presos e tombados. O campo utilizado para a eliminação destes direitos foi exatamente aquele que a classe oprimida historicamente sempre foi derrotada. A saber: o parlamento burguês e o judiciário. Basta vermos por onde tão “reformando” a Previdência, liberando o trabalho terceirizado e criminalizando os movimentos sociais. Cem anos depois, um aprendizado deve ficar na memória do povo em luta. Nossos direitos foram conquistados em outra arena. Foi nas ruas, nos campos, nas fábricas e nas lavouras que nossa classe partiu para ofensiva e derrotou a burguesia e o estado arrancando seus direitos. Para isso um instrumento foi central e determinante: a ação direta. Seja fazendo greves, ocupando terras, fechando rodovias. Foi parando a circulação do dinheiro dos capitalistas que se abriram os caminhos para os direitos dos trabalhadores.
Neste dia 31 de março de 2017 que nossa memória não seja traída. Reiteramos que do Estado, através de seus poderes (executivo, legislativo e judiciário), só podemos esperar violências e opressões, que aliadas à exploração capitalista, amordaçam nossas vidas. Assim, seguiremos firmes em nossas lutas sempre tendo em vista a construção da justiça social desde baixo e à esquerda. Nossos direitos que estão usurpados só podem ser garantidos com uma grande Greve Geral, radical e expropriadora, para derrubar Jatene, Temer e todo sistema do capital.
Belém – Pará

31 de Março de 2017
Federação Anarquista Cabana – Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira.

Contra tentativa de criminalização de estudantes e servidores na UNIFAP

A Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), tenta criminalizar aos que ocuparam a universidade contra as medidas de austeridades do governo golpista de Michel Temer que retira os direitos sociais históricamente adquiridos com muito suor e sangue da classe trabalhadora bem como de todo povo oprimido.

Hall da reitoria

Pelo movimento que solapou as escolas secundaristas, institutos federais e universidades em todo território nacional, em Macapá, na UNIFAP, não foi diferente, alunos e servidores decidiram ocupar o hall da reitoria que, duraram 51 dias, como forma de manifestação contra essas medidas. Foram 51 dias de atividades, debates e discussões sobre os malefícios da PEC 55 e como isso afetará a população pobre no âmbito da educação e saúde para os próximos vinte anos e como esse projeto de emenda constitucional garantirá privilégios e mordomias para os de cima.

A UNIFAP e a reitora Eliane Superti mostram que se trata claramente de perseguição e tentativa de criminalização daqueles que se levantam e lutam. Imputam processo judicial referente à reintegração de posso expedido durante os dias de ocupação, uma vez que o movimento de ocupação sempre se mostrou aberto e com dialogo para discutir, a exemplo, da aplicação das provas do ENEM passado onde o movimento em nada prejudicou sua realização.

Portão de entrada da UNIFAP

A solidariedade entre os de baixo é pratica que constrói laços e fortalece a luta, a Federação Anarquista Cabana, exercendo essa pratica como principio lança mão solidaria a companheirada da UNIFAP que bravamente organiza, resiste e luta. Não podemos ficar calados e deixar mais uma tentativa de criminalização do movimento.

LUTAR NÃO É CRIME!

Nenhum passo atrás! Nenhum Direito a Menos!

 

 

 

Solidariedade ao Professor Evandro Medeiros Contra a Ganância Extratora da Vale!

[FACA] A Federação Anarquista Cabana vem estender sua solidariedade ao companheiro Evandro Medeiros, professor do Curso de Educação do Campo da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). Ele vem sendo criminalizado por protestar e mostrar sua indignação contra dos desmandos da Vale no sudeste paraense. Vem sendo atacado pela Companhia por fazer protesto, juntamente com demais movimentos sociais, na região. Nas palavras da mineradora “quer fazer justiça usando as próprias mãos”, sedução barata para desvirtuar o real motivo do protesto.

Em novembro de 2015, sobre a tenebrosa estrada de ferro de Marabá (trilhos que transportam a riqueza do subsolo do povo paraense para Canadá e Japão deixando aqui criminalidade, miséria e impunidade), um coletivo de lutadores e lutadoras do povo juntamente com o professor Evandro uniram forças para realizar ato em solidariedade às famílias atingidas pela estupidez e irresponsabilidade protagonizada pela obra de duplicação da ferrovia da companhia VALE. O ato também lembrava as vítimas da empresa SAMARCO, pelo rompimento da barragem de rejeitos no município de Mariana, em Minas Gerais.

Esse crime cometido pela mineradora, mesmo após 10 meses nada foi resolvido, e a VALE segue sua espúria caminhada pelo sudeste paraense com o projeto S11D e duplicação da ferrovia que já impacta e corta as terras e territórios de camponeses, indígenas e quilombolas. Aprofundando as desigualdades sociais, os crimes ambientais e assassinatos de lideranças no estado do Pará ou em Minas Gerais, no Brasil ou em outras fronteiras onde se instala a mineradora os resultados são os mesmo: concentração fundiária, ataque aos direitos humanos e da natureza e espoliação dos bens naturais.

Passados 07 meses do maior crime ambiental do país, nada foi resolvido sobre questão da SAMARCO/VALE em relação às famílias que foram vitimadas. No entanto, por conta do protesto feito sobre a estrada de ferro em Marabá, a “justiça” rapidamente se manifesta tratando de criminalizar todas e todos que se erguem em luta contra a plutocracia desta mineradora.

Na audiência conciliatória do último dia 05 de maio, o ministério público propôs que Evandro pagasse um salário mínimo para mineradora e por sua vez a VALE “reivindica” dele serviços comunitários por 15 dias. Uma proposta absurda!

Mostra-se mais uma tentativa de amedrontar as/os lutadores do povo oprimido. Daqueles que se levantam contra os mandos e desmandos dessas empresas que por meio de práticas escusas fazem por valer suas vontades destruindo os territórios de comunidade quilombolas, de indígenas, de famílias assentadas, de ribeirinhos e de toda uma tradição camponesa onde esses projetos se alocam.

#Não vai ter arrego!

#Não se ajusta quem resiste!

#Solidariedade ao professor Evandro Medeiros

#Terrorista é o Estado e o Capital.

FACA/CAB, julho de 2016.

Toda solidariedade aos presos políticos do MST em Goiás. Não a criminalização dos Movimentos Sociais no Brasil.

Mais uma vez os movimentos sociais sofrem golpes deferidos pelo Estado por meio de seus aparelhos de coerção jurídica. Desde o mês de abril, a justiça expediu mandado de prisão a quatro militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Dois desses foram presos e enquadrados absurdamente na lei nº 12.8502013 referente à organização criminosa.

As instâncias jurídicas do Estado de Goiás travam perseguição política sistemática as lideranças do Acampamento Padre Josimo (GO). Os camponeses Luiz Batista, Natalino de Jesus e Diessyka Santana são vítimas dessa escalada repressiva. Destacamos, também, a prisão do geógrafo José Valdir Misnerovicz. Militante com forte reconhecimento na sua luta em defesa da reforma agrária. Luiz foi preso no dia 14 de abril ao comparecer em um depoimento e Valdir depois de um mandado de busca e apreensão expedido no dia 31 de maio de 2016 a pedido do judiciário do Estado de Goiás e executado pela Polícia Militar – PM.

Tal prática do Estado brasileiro vem criminalizando os movimentos sociais, imputando a sua militância a marginalidade jurídica e, com isso, perseguindo e trancafiando lutadores e lutadoras do povo. Desde as Jornadas de 2013 o processo de repressão se intensifica no país. O primeiro foi Rafael Braga que continua preso. Agora, os companheiros de Goiás.

A Lei Anti-terror, assinada pelo governo Dilma do PT e implementada pelo Governo Temer do PMDB só coloca fermento no “bolo” preparado pelas forças do fascismo no Brasil. Nós da Federação Anarquista Cabana – FACA/Coordenação Anarquista Brasileira – CAB fazemos um grande chamado para as  organizações populares, estudantis e movimentos sindicais e camponeses se posicionarem frontalmente contra a criminalização dos movimentos sociais e rodearmos a companheirada encarcerada de solidariedade militante. Constituindo, para isso, Comitês pela libertação dos ativistas presos sejam nos locais de trabalho, estudo e moradia.

# Liberdade para Rafael Braga, Luiz Batista e José Valdir Misnerovicz;

# Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais;

# Terrorista é o Estado e o Capital!

faca

FACA/CAB, Junho de 2016.

 

Nota de Solidariedade aos lutadores e lutadoras de Oaxaca

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vem manifestar sua solidariedade às famílias dos militantes sociais assassinados, ao povo guerreiro de Oaxaca e à Coordinadora Nacional de Trabajadores de la Educación (CNTE), que neste último domingo, 19 de junho, sofreu mais um ataque do Estado assassino mexicano, comandado pelo governo de Enrique Peña Nieto (PRI).

A CNTE, organização sindical dos trabalhadores e trabalhadoras da educação do México, vem num processo de mobilização social de vários anos contra os ataques do governo à educação pública e contra a reforma educativa no país empreendida pelo governo de Enrique Peña Neto. O governo mexicano se esforça por privatizar a educação, não negociar e ainda mantém encarcerados dirigentes nacionais da entidade.

Este projeto de silenciamento das/os de Baixo, através do pensamento que transforma educação em negócio, é um projeto de interesse dos de cima para a América Latina toda e, a repressão é coordenada no espaço e no tempo para pulverizar as possibilidades do ensino público. E no caso especifico de Oaxaca essa questão se arrasta desde 2006 quando professores se levantaram por seis meses em situação de greve, um marco da luta pela educação pública travada naquele estado.

Na última semana foram realizadas grandes marchas, barricadas e bloqueios de estradas em vários municípios e estados do México, porém foi na rodovia federal 190 que liga Oaxaca à Cidade do México que o movimento sofreu mais um massacre pelas forças policiais do Estado Mexicano.

Em Nochixtlán, Oaxaca, enquanto o movimento composto pelos educadores e educadoras, estudantes e população local estava resistindo com paus e pedras ao avanço das tropas da Policia Federal mexicana, o braço armado do Estado começa a disparar tiros letais contra as pessoas lutadoras, resultando em 9 pessoas mortas, mais de 50 feridas, 22 desaparecidas e 23 presas.

Não se passaram nem 2 anos de um grande ataque do Estado Mexicano a lutadores sociais, o desaparecimento (massacre) dos 43 estudantes de Ayotzinapa, e o povo de luta do México sofre com mais perdas. Enquanto mais a classe oprimida se organiza e luta, mais a classe dominante criminaliza, reprime e mata nosso povo. A saída é continuarmos lutando e rodeando de solidariedade cada vez mais àquelas e àqueles que lutam por vida digna e um mundo mais justo e igualitário.

A solidariedade de classe a nível internacional é de extrema importância neste momento. O sangue derramado no México é o nosso sangue!

Nenhum minuto de silêncio, vidas inteiras de luta pelos que tombaram!
Toda solidariedade aos lutadores e lutadoras de Oaxaca!
Nenhum passo atrás! Nenhum Direito a Menos!

cab

CAB, Junho de 2016

Fonte: Coordenação Anarquista Brasileira [CAB]

Contra a cultura do estupro, a resistência é a vida.

A Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), reunida em plenária nacional, quer declarar seu completo repúdio e indignação com o caso de estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos por mais de trinta homens ocorrido na cidade do Rio de Janeiro.

A cultura do estupro não é recente em nossa história, pelo contrário, está na gênese da formação social do Brasil, pois sob a consígnia da miscigenação cultural existe um país formado a partir do estupro colonial de negras e indígenas.

A cultura do estupro existe a partir da inadmissível ideia que os corpos e as vidas das mulheres servem naturalmente à dominação masculina. Reside em nosso meio como permanente lembrança que vivemos em uma sociedade extremamente violenta com as mulheres, caracterizando um quadro de guerra civil contra as mulheres, em que todos os dias morrem algumas das nossas.

Ainda que antiga, a cultura do estupro se fortalece em momentos conjunturais de negação do direito e da existência humana das mulheres. É o momento em que vivemos, quando o o patriarcado e a religião, institucionalizados por meio do Estado, cortam possibilidades de existência digna por todos os lados: saúde, educação, trabalho, cultura e mobilidade.

Levantamento do IPEA, feito com base em dados de 2011, mostrou que 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes; cerca de 15% dos estupros registrados no sistema do Ministério da Saúde envolveram dois ou mais agressores; 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima. De acordo com dados mais recentes, em 2014, o Brasil teve um caso de estupro notificado a cada 11 minutos. Diante deste cenário, preocupa-nos a chegada das Olimpíadas no Rio  de Janeiro, pois sabemos que o acontecimento de megaeventos contribui para o aumento da exploração dos corpos de mulheres e adolescentes, comercializadas como atrativos turísticos.

Reiteramos que devemos permanecer firmes e resistentes contra o avanço sobre os corpos, as vidas e os direitos das mulheres, fortalecendo discussões e práticas feministas em nossas organizações e nos movimentos sociais em que estamos.  É importante também nos atentarmos para a construção da autodefesa como forma de resistência em rede, jamais isoladas.

Mexeu com uma, mexeu com todas!

Estupradores não passarão!

Machistas não passarão!

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Fortaleza, 28 de maio de 2016.

Coordenação Anarquista Brasileira

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Fonte: Coordenação anarquista Brasileira [CAB]

20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás

luto - toda solidariedade aos sem-terra

Lições de que as transformações só vêm com o povo organizado

No dia 17 de abril de 1996, cerca de 1.500 camponesas e camponeses organizados nas fileiras do MST/PA organizaram uma grande assembleia e decidiram marchar para a capital do Pará, Belém, para apresentar sua pauta de reivindicações junto ao Governo do Estado e discutir com o conjunto da sociedade a necessidade de uma ampla reforma agrária. Dentre os pontos, a desapropriação do complexo conhecido como Macaxeira. Um mosaico de fazendas que totalizavam 42 mil hectares situados no Município de Eldorado dos Carajás. No trajeto, na altura da Curva do “S”, na PA-150, com fome e sede, decidiram bloquear a rodovia para reivindicar do INCRA mantimentos e água para continuar sua jornada. Tal ato parou a circulação de mercadorias e pessoas que vinham tanto de Marabá quanto de Parauapebas no Pará. Isso deixou os fazendeiros e a Cia Vale do Rio Doce (CVRD) furiosos, na medida em que não podiam deslocar suas mercadorias e nem muito menos os carros de valores oriundos da sede da CVRD em Carajás.

Pronto. Estava completa a equação para a repressão. Ocupações sistemáticas de terra e depois o impedimento do escoamento de suas mercadorias, impedindo seus lucros. Foi quando se percebeu a perfeita sintonia entre o capital e o Estado contra a classe oprimida. Uma ligação telefônica da Vale para o então Governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), determinou a retirada dos lavradores “de qualquer maneira da estrada” – depoimento do Coronel da PM Pantoja, um dos coordenadores da Operação. Foi quando dois batalhões da Polícia Militar do Pará se deslocaram para a Curva do “S” e promoveram o massacre: 21 camponeses assassinados e 69 mutilados. Dentre os depoimentos dos sobreviventes, além da polícia não usar identificação, foram reconhecidos famosos pistoleiros da região vestindo a farda da corporação. O mais famoso é um indivíduo de alcunha “Papagaio” que estava muito bem “ambientado” no interior dos coturnos e gandolas de propriedade da PM.

Vinte anos depois, o que é que os camponeses e camponesas tiraram como aprendizado depois de tanta gente morta e ferida?

Além das conquistas oriundas de sua luta direta, a certeza de que somente pela luta do povo organizado é que ocorrem as transformações sociais. Exemplos de conquistas como a institucionalização de programas como PRONAF (Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar) e o PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), bem como o aumento considerável de territórios camponeses através da instalação de Projetos de Assentamentos (PA´s), são provas concretas de que a ação direta é a única linguagem que o capital e o Estado entendem.

Contudo, apesar dos acúmulos da luta, muitos movimentos sociais apostaram que seria possível fazer avançar as pautas do campo por meio do projeto de governo do PT, baseado no pacto de classes e no pior tipo de barganha política. Mas a rica história de luta da classe oprimida sempre nos mostrou que sem pressão popular, protagonismo e empoderamento das bases, nenhum governo defenderá por si só as pautas dos de baixo. A natureza do Estado é defender os interesses dos ricos e poderosos, e toda sua estrutura funciona para esse propósito, independente de quem exerça o mandato. Assim como sabemos que, se existe movimento social é porque ainda há luta e conquistas para se fazer, e seja qual partido esteja no governo, não é garantia de que faça alguma transformação concreta para o povo.

Não negamos a existência de determinadas políticas e programas sociais, principalmente para as pessoas mais atingidas pela seca, fome, miséria. E que estão nestas condições por conta de todo um processo de continuidade de políticas  oligárquicas e de uma “indústria da miséria”, que também não foi abalada nesses 12 anos de governo petista. E, apesar dessas políticas sociais, o que se consolidou de fato no Governo PT foi o modelo do agronegócio, que hoje bate recordes de exportação de commodities, foi a estagnação da reforma agrária e o desmonte das políticas públicas para a agricultura camponesa. Ou seja, o saldo da barganha que o PT fez com o capital não é nada favorável ao povo do campo e às comunidades tradicionais. Senão, vejamos:

Foi Lula que abriu as portas para o plantio de soja transgênica no país. E, quando reeleita, Dilma abre um tapete vermelho para Kátia Abreu e a CNA no governo;

No primeiro mandato de Dilma a concentração de terras nas mãos do latifúndio pulou de 238 milhões de hectares para 244 milhões de hectares. Desde 2003, primeiro ano do Governo Lula da Silva, foram registrados 529 assassinatos ligados à luta pela terra e à luta pelo reconhecimento de territórios no Brasil.

Para se ter uma ideia do grau de concentração da terra no país, a segunda maior etnia indígena do Brasil, os Guarani Kaiowá (a maior são os Kayapó no Pará), com 45 mil indígenas, está confinada em 30 mil hectares. Enquanto que no mesmo estado onde localiza-se a maioria de seus territórios, o Mato Grosso do Sul, existem 23 milhões de cabeças de gado que se encontram dispersas em 23 milhões de hectares, o equivalente a um hectare para cada animal. O governo Dilma em 2015 não assinou nenhuma homologação de Terras Indígenas, mesmo tendo em sua mesa 21 processos de demarcação sem nenhum questionamento administrativo e/ou judicial.

No Brasil, existem hoje 214 mil famílias Quilombolas. Destas, 92,5% aguardam titulação de suas terras. Os quilombolas no Pará vivem com sobreposição de projetos minerários com, pelo menos, oito empresas e profundamente ameaçados por essas mesmas firmas. São elas BHP Billinton, Mineração Rio do Norte, Vale S.A., Amazonas Exploração e Mineração, Redstone, Pará Metais.

Como se isso não bastasse, tramita no Congresso Nacional a PEC 215. Orquestrada pela famigerada Bancada Ruralista, o projeto materializa um ataque frontal ao povo do campo. Por esse projeto, caberá ao mesmo Congresso Nacional decidir sobre a demarcação de terras indígenas e sobre a titulação de terras quilombolas, o que submete esses processos aos interesses financeiros e de classe do latifúndio.

Paralelamente, a criminalização das lutadoras e lutadores também é um fato. No último dia 07 de abril, o Cacique Babau, dos Tupinambá, foi preso no município de Ilhéus, na Bahia. Um dia depois, militantes do MST foram encurralados, em Quedas do Iguaçu, pela polícia do Paraná e por capangas da empresa Araupel, de propriedade da Suzano Celulose. O resultado foi a assassinado dos lavradores Vilmar Bordim e Leomar Bhorbak e sete outros camponeses feridos.

Não podemos esquecer, também, do recente assassinato de Ivanildo Francisco, em Mogeira (agreste paraibano); Ivanildo era próximo do MST, do MAB e da CPT. O assassinato de Enilson Robeiro e Valdiro Chagas, da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no mês de janeiro em Jaru, Rondônia. Regina Pinho, assassinada em fevereiro de 2013, e, Cicero Guedes, assassinado em janeiro do mesmo ano, no norte fluminense.

Entendemos que as esperanças do povo camponês com o que poderia ser o Governo do PT em 2003 foram reais. Mas, o que não são reais são as políticas do PT para o povo. E o povo não quer as migalhas que Dilma e o PT oferecem agora aos movimentos sociais e povos tradicionais, com a destinação de terras para a reforma agrária e reconhecimento de territórios tradicionais, mas que não têm impacto algum na brutal desigualdade de concentração de terras nas mãos do Agronegócio e Latifúndios. Medida que o PT poderia ter feito em seus 12 anos no governo, mas não fez, e só esboça fazer agora apenas pelo desespero de se manter no governo.

Reforçamos que, nesta data consagrada pela Via Campesina como o Dia internacional de Luta Camponesa, devemos reforçar que é com a participação direta das bases na condução das lutas que conquistaremos e lutaremos por nossos direitos e por uma sociedade mais justa e igual.

As transformações sociais não virão de cima, mas do caminho construído pelos de baixo. Com Ação Direta e Radicalidade nas Lutas!

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Violência e Resistência no Campo e na Floresta: toda solidariedade aos sem-terra e ao movimento indígena

 

As organizações anarquistas especifistas que compõe a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vêm repudiar veementemente o ataque orquestrado pela Polícia Militar em conluio com jagunços e seguranças particulares da empresa madeireira Araupel contra um grupo de militantes sem-terra no dia 7 de abril de 2016, quinta-feira, que culminou na morte de dois sem-terra e outros tantos feridos.

luto - toda solidariedade aos sem-terra

Histórico de lutas dos sem-terra na região:

Na região sudoeste do estado do Paraná, onde fica o município de Quedas do Iguaçu e o Acampamento Dom Tomás Balduíno, o agronegócio está fortemente presente com monoculturas de soja, pinus e eucalipto e indústrias madeireiras. Nessa mesma região existe um rico histórico de lutas populares pela terra, construído com muito suor e sangue. É uma área de muitos conflitos em que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem construindo uma história de peleia pela reforma agrária popular e também importante pelo seu valor simbólico: foi na cidade de Cascavel que o MST teve sua fundação formal em 1984.

Os conflitos que se agravam na região são de longa data, mas podemos perceber intensificação a partir de 2015, ano de surgimento de dois novos acampamentos do MST em terras paranaenses: Acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, com cerca de 2,5 mil famílias e Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu, com cerca de 1,5 mil famílias. Ambos os acampamentos ocuparam terras que tinham sido griladas pela mesma empresa madeireira, Araupel.

Em 8 de março 2015, para evidenciar que o Dia IKODAK Digital Still Cameranternacional da Mulher é um dia de luta e não de comemoração, um grupo de Mulheres do MST, realizaram uma ação política no viveiro de mudas da empresa, ocupando e destruindo mais de 5 milhões de reais em mudas de pinus.

Ataque da PM, Araupel e jagunços

No período da tarde do dia 7 de abril, quinta-feira passada, um grupo de aproximadamente 25 trabalhadores e trabalhadoras circulava em caminhonetes e motocicletas no acampamento Dom Tomás Balduíno; perímetro da área demarcada como pública pela Justiça Federal. O grupo de trabalhadores e trabalhadoras foi surpreendido por disparos de armas de fogo da PM e seguranças particulares da empresa Araupel contra os veículos, o que fez com que eles fugissem dos disparos para dentro das matas em direção ao acampamento que se encontrava a 6 km de distância.

Os fatos demonstram ser falaciosa a ideia de “confronto” apontada pela grande mídia. Não houve confronto, pois não havia qualquer igualdade de condições. A própria Polícia Militar admite ter encontrado os corpos nas matas e que todos os tiros atingiram os trabalhadores pelas costas, o que faz cair por terra a nota pública da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP/PR) emitida sobre o assunto no mesmo dia. Nota-se que a relação dos monopólios e oligopólios da mídia paranaense e brasileira estão em enorme sintonia com os empresários da Madeireira Araupel e do agronegócio em geral.

Segundo a versão da SESP/PR, as equipes policiais tinham ido atender a ocorrência de um incêndio nas áreas do acampamento, porém estavam presentes grupos especiais da Polícia Militar, como o BOPE e a ROTAM, mas o Corpo de Bombeiros sequer tinha sido acionado.

No ataque ao grupo dos sem-terra, os trabalhadores Vilmar Bordim, 44 anos, pai de três filhos, e Leomar Bhorbak, 24 anos, com esposa grávida de 9 meses, tiveram suas vidas ceifadas, em nome da defesa do latifúndio, do agronegócio, do “desenvolvimento econômico” do Brasil. Além disso, mais dois trabalhadores rurais que foram detidos e após duas horas foram liberados.

A nota pública da SESP/PR é incisiva e deixa claro até que ponto eles estão dispostos a encobertar o ocorrido:

“Mais de 20 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque.”

Com o titulo da nota, eles demonstram, apesar de tudo, querer ainda responsabilizar e criminalizar o movimento pelo acontecido:

“Policiais são alvo de emboscada em Quedas do Iguaçu”

Ainda, segundo a Polícia Militar,

“Com eles, a polícia apreendeu uma pistola 9 milímetros e uma espingarda calibre 12.”

Como é possível falar em confronto entre um grupo de trabalhadores rurais com uma espingarda e uma pistola (se é que realmente estavam) contra duas equipes da Polícia Militar, da ROTAM (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e BOPE (Batalhão de Operações Especiais), além de um grupo de jagunços?

Nota da Secretária Estadual de Segurança Pública do Paraná:

http://www.seguranca.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=9886&tit=Policiais-sao-alvo-de-emboscada-em-Quedas-do-Iguacu

Ainda há outros elementos que demonstram a barbárie ocorrida: parentes, amigos e imprensa foram impedidos de acessar o local por horas, não puderam socorrer os feridos do ataque, nem averiguar a situação do local. Os policias chegaram a retirar os corpos das vítimas sem a presença do IML – Instituto Médio Legal, como também os próprios objetos pessoais das vítimas. Todas as delegacias e hospitais da cidade de Quedas do Iguaçu para onde foram levados os sem-terra envolvidos no acontecimento foram cercadas pela Polícia Militar, que impediu qualquer acesso às vitimas, até mesmo de advogados.

Um ataque com nome e assinatura

O embate entre Araupel x MST vem se arrastando há alguns anos, tanto na esfera jurídica quando na esfera da luta nas ruas. Recentemente o MST obteve algumas vitórias na justiça, um dos motivos que fez com que a Araupel, recorresse a meios “mais eficazes” para atingir seu objetivo: exterminar os sem-terra que ocuparam “suas” terras.

O Poder Judiciário tem um lado, e não é o das pessoas pobres. Mas quando os pobres se organizam em movimentos sociais para obter seus direitos, pressionam e conquistam seus objetivos. Os derrotados na esfera legal, que muitos momentos recorrem ao discurso da legalidade para validar seus objetivos, rasgam qualquer lei quando convém. Quando lhes interessa, recorrem aos meios mais violentos como a contratação de grupos para-militares, jagunços, pistoleiros, capangas de fazendeiros para o assassinato de lideranças camponesas ou quem quer que esteja lhes perturbando.

No dia primeiro de abril deste ano, o deputado federal Valdir Rossoni (PSDB-PR), agora ministro chefe da Casa-Civil do Paraná, foi a Quedas do Iguaçu participar de uma audiência que discutia a questão dos conflitos agrários na região. Segundo o MST, Rossoni se comprometeu com a Araupel – que foi quem financiou sua campanha eleitoral – teria qrossoniue retribuir o “favor” e “resolver o problema com os sem-terra”. Para isso, foi solicitado o envio de mais de 80 soldados da PM para a região a fim de “combater a eminência da criminalidade” na região. Segundo ele os acampamentos seriam os maiores responsáveis pela criminalidade na região. Nota-se a clara tentativa de criminalizar o movimento social.

 

Questão Jurídica do território Rio das Cobras:

No ano de 2004, O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) entrou com uma ação na Justiça contra a grilagem da Araupel, para que os títulos de propriedade da terra da empresa fossem declarados como nulos. Em maio de 2015, a juíza Lilia Côrtes de Carvalho de Martino, da 1ª Vara Federal de Cascavel, declarou nulo estes títulos de propriedade da fazenda Rio das Cobras (que até então estavam nas mãos da empresa), como também considerou ilegal toda a cadeia dominial das terras. Assim, elas pertenceriam à União.

O que aconteceu no dia 7 de abril foi uma tentativa desesperada da Araupel de retomar suas terras através da violência, ameaças e assassinatos.

A iminência de conflitos agrários no Paraná é cada vez mais nítida. Além desse caso, houve também a reintegração de posse na Terra Indígena Boa Vista, no início de março.  Pouco depois, a liderança Kaingang da comunidade, Claudio Rufino, foi presa e ainda hoje se encontra encarcerada pela Policia Federal em Curitiba, com acusações das mais variadas diversas, desde porte de armas à cárcere privado.

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Conjuntura de repressão e criminalização dos que lutam:

Está em curso uma agenda de ataques severos aos povos do campo e florestas que lutam por seus territórios e direitos sociais. No último dia 6 de abril houve a reintegração de posse do Território Indígena Gravatá, no município de Ilhéus – Bahia, onde vive a tribo indígena Tupinambá. No dia anterior havia sido feita uma negociação entre os indígenas e a Polícia Militar para que não houvesse a reintegração, entretanto, como era de se esperar, a PM não cumpriu sua parte do acordo. E no fatídico dia 7 de abril o cacique Rosivaldo Ferreira da Silva, o Babau, foi preso por porte de arma.

O cacique Babau é uma liderança indígena com grande histórico de luta e perseguição. Existe, naquela região, grande interesse econômico na retirada de areia, entretanto, a comunidade Tupinambá sempre se posicionou contrária a pratica, impedindo a entrada e saída de veículos e caminhões.

Também neste caso o Estado assume seu lado na figura do juiz Lincoln Pinheiro da Costa, da Justiça Federal de Ilhéus, que vem atuando para defender a retirada de areia da terra indígena tupinambá, comprovando o seu caráter de classe.

20 anos do Massacre de Eldorados dos Carajás

Há 20 anos do Massacre de Eldorados dos Carajás o Estado continua mantendo e preservando ferozmente os interesses de quem explora e esmaga os pobres. Cumpre assim o papel de servir a uma minoria privilegiada, legitimando a exploração e opressão dos de baixo e se utilizando de todos os meios possíveis para manter o sistema de dominação.

O Massacre de Eldorados dos Carajás ocorreu em 1996 no Pará, em que a Policia Militar assassinou 19 trabalhadores rurais. Não será esquecido!

Assim, no período em que se marca os 20 anos do Massacre no Pará, vemos cada vez maior a intensificação das pautas da bancada ruralista contra os povos do campo, floresta e mar.

Viemos manifestar todo nosso apoio e solidariedade aos que lutam. É somente a partir da ação direta do povo, da autogestão e da autonomia dos movimentos sociais que conseguirmos avançar rumo a uma sociedade mais justa.

Toda solidariedade aos sem-terra!

Leomar Bhorbak e Vilmar Bordim vivem!

Solidariedade ao cacique Tupinambá Babau!

Lutar! Criar Poder Popular!

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Coordenação Anarquista Brasileira – CAB

14 de abril de 2016

Organização Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira